Estudos com dois tipos de cobaias - camundongos transgênicos e macacos cinomolgos (macaca fascicularis), feitos pelos cientistas da UFRJ, indicam que remédios originalmente projetados para tratar diabetes poderiam, portanto, ser úteis contra o Alzheimer, mal que ainda não tem cura.
As primeiras pistas sobre o mecanismo ligando as duas doenças vieram de estudos in vitro. Sabe-se que o Alzheimer é desencadeado por maçarocas da proteína beta-amiloide, que têm efeitos nada agradáveis sobre o funcionamento dos neurônios.
Um desses efeitos é a diminuição no número de projeções das células nervosas. Isso, por sua vez, tem impacto negativo nas conexões de neurônios, cruciais para a memória.
A insulina é um importante hormônio que ajuda as células a armazenar açúcar e gordura para serem usados como energia; quando o organismo não consegue produzir o hormônio (diabetes tipo 1) ou reage de forma inadequada a ele (diabetes tipo 2), uma série de problemas circulatórios e de coração se desenvolve. A insulina é essencial para o cérebro – anormalidades na insulina estão associadas a doenças neurodegenerativas, não só a doença de Alzheimer, como também a doença de Parkinson e doença de Huntington. Entre as últimas constatações está a descoberta de que um gene associado ao processamento da insulina está localizado em uma área cromossômica relacionada ao Parkinson.
A neuropatologista Suzanne De La Monte e colaboradores (Brown University - Revista Scientific American ) questionaram se a insulina no cérebro poderia ter alguma relação com a doença de Alzheimer (que se caracteriza pela perda de memória). Eles compararam os níveis de insulina de seus receptores pós-morte em cérebros saudáveis e de pacientes com Alzheimer. Os níveis médios do hormônio nas áreas neurais associadas ao aprendizado e à memória eram até quatro vezes superiores nos cérebros saudáveis que, por sua vez, também apresentavam até dez vezes mais receptores de insulina.
" Cérebro Diabético"
Como o mal de Alzheimer interfere na ação da insulina nos neurônios.
1) O Mal de Alzheimer é causado por agregados da proteína beta-amilóide.

2) Com proteção. Com a atuação da insulina, os neurônios ficam protegidos da beta-amilóide.
3) Sem Proteção. Sem a ajuda da insulina, os neurônios ficam vulneráveis à ação da beta-amilóide, diminuindo as conexões entre eles.
Há planos par testar drogas contra diabetes em pacientes com doenças degenerativas (ex.: Alzheimer). Os pesquisadores da UFRJ querem que parte desse teste clínico envolva pacients brasileiros. Mas, por enquanto, quem tem a doença não deve arriscar uma aplicação de insulina, pois o organismo pode até ficar resistente ao hormônio.
Fonte: Folha e Revista Scientific American

